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CUIDADO COM OS RÓTULOS As embalagens dos produtos se tornaram, com os recursos da computação, bastante criativas e atraentes. São multicoloridas, inteligentes, uma verdadeira obra-de-arte. Existem no mercado especialistas em designer de embalagens, encarregados de destacar a marca e o produto, dentre os milhares que existem nas prateleiras dos supermercados. Elas têm também uma função, digamos, social, que é a de função de fornecer informações aos consumidores: composição do produto, registro nos orgãos competentes, instruções de uso, prazo de validade, etc. Os dados nelas contidos são assumidos sempre como verdadeiros, pois supõe-se que o que está ali escrito é expressão da realidade. Todavia, existem problemas pertinentes à elas. Um deles é quando os laboratórios de qualidade oficiais realizam testes e constatam que nem sempre o expresso nos rótulos corresponde à realidade. Ficamos com aquela sensação de termos sido enganados por acreditarmos na aparência. Em outras situações, para confundir os consumidores e a concorrência, muitas empresas lançam similares com embalagens e nomes quase idênticos à marca líder. Os que são fiéis à determinado produto, devem prestar muita atenção porque os rótulos cada vez mais se parecem. Assim não se pode vacilar e comprar gato por lebre. Da mesma forma que servem identificar, embaralham a mente meio à tantas transformações exteriores. O interessante é que a marca, ou seja, a assinatura do produto raramente muda. Os chocolates Garoto terão aquele menino na caixa, o sabão em pó Omo sempre escrito com aquelas letras características, o refrigerante Coca-Cola apresentará invariavelmente as inscrições estilizadas, etc. A identidade, o que os caracteriza como sendo o que são, permanece inalterada. Leva-se muito tempo para se consolidar uma marca e, por isso, não pode ser mudada de motivos bastante convincentes. Algumas delas valem bilhões de dólares porque inspiram confiança. Podemos fazer uma analogia com a vida em sociedade. Nem sempre os rótulos que uma pessoa traz são indicativos de que são realmente aquilo. Muitos lobos se disfarçam em cordeirinhos e vice-versa. Por isso, julgar pelas embalagens pessoais é muito complicado e insuficiente. Aliás, julgar é sempre uma tarefa injusta porque não somos donos da verdade e somente podemos ser especialistas em nós mesmos... Por ficarmos no rótulo, privamos algumas pessoas de nosso convívio porque supomos que não pensam como nós, são estranhas e esquisitas. Perdemos nessa limitação, oportunidades de apreciarmos o diferente que também pode ser rico e belo interiormente. Recusamo-nos a contemplar uma fantástica personalidade por medo da embalagem. Outras vezes, somos enganados pelo visual bonito e quebramos a cara. Nos dois casos, confundimos a aparência com a essência, o rótulo com o conteúdo. É difícil de admitir, mas somos muito preconceituosos. A maioria de nós, mesmo que internamente, aprovamos apenas os que participam de nossa igreja, clube de serviço, associação. O nosso rótulo é melhor que o dos outros, nosso produto ( acreditamos) de qualidade infinitamente superior ao daqueles que não compartilham os mesmos ingredientes. Saímos, então pela vida, dizendo: "Esse, sim é do meu time! Ah, aquele lá não! Aquela turma, ali, nem pensar... Tô fora!". A verdade é que todas as pessoas possuem qualidades e valores infinitos. Só é necessário ter olhos que vejam além do apenas visível. Tomemos cuidado com os rótulos pessoais. Cada ser é uma individualidade e atribuir características pejorativas é generalizar. As embalagens são enganadoras e superficiais. Concentremo-nos sempre na marca! Essa, sim, revela a credibilidade que a pessoa tem. Por vezes, ela somente é percebida após observação do todo. E, por falar nisso, não nos esqueçamos: ABAIXO AS ROTULAÇÕES, PORQUE TEMOS A MESMA MARCA. A DE FILHOS DE DEUS... Geraldo Anastácio. |
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