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ENCONTRANDO PESSOAS LEGAIS

Ele estava sem perspectivas profissionais, sem motivação para crescer e buscar oportunidades em sua empresa. Pensava em pedir demissão futuramente e respirar novos ares em outra atividade profissional. Pensava... porque certo dia apareceu alguém que viu nele o valor que possuía e o incentivou a ampliar seus horizontes ali mesmo onde estava...Eis que tudo se fez novo em sua vida.

Ela não conseguia aprender aquela matéria na faculdade e sabia das suas limitações. Já havia reprovado, carregava uma dependência ( a famosa DP). O professor anterior dizia que não seria aprovada jamais naquela disciplina. Dizia... porque o novo professor, de imediato, afirmou que aquela não era uma matéria difícil porque a grande maioria dos alunos era aprovada e que bastava ela se dedicar um pouco mais que também superaria aquelas dificuldades. As palavras do professor soaram como um despertador interior na vida da estudante e, então, os conceitos, as fórmulas, passaram a fazer sentido.

A cliente do banco já estava cansada de ligar, de ir até a agência para tentar resolver uma situação urgente naquela semana. Era mandada de funcionário em funcionário e nada de respostas concretas. Estava... porque naquela manhã de quinta-feira, finalmente encontrou alguém do banco que se importou com o seu caso, indignou-se com a postura dos colegas e o solucionou imediatamente, após alguns procedimentos internos.

A dona-de-casa, naquela rua movimentada, estava com a seta do seu automóvel ligada, desejando entrar na via e nenhum motorista lhe dava preferência. Nenhum... Até que um deles percebeu e parou seu carro para que ela pudesse prosseguir.

Ele estava na fila do supermercado há mais de meia hora. À sua volta, expressões cansadas, impacientes com a demora. Nos caixas, atendentes não muito simpáticas. Porém, no caixa 9, uma funcionária sempre sorridente procurava levantar o ânimo dos que passavam pelo guichê. Felizmente, foi atendido por ela...

Aquele chefe de determinada empresa era tão simples e bacana que nem parecia ser o comandante de uma equipe. Aliás, havia alguns de seus funcionários que tinham atitude mais orgulhosa do que ele. Tratava do estagiário à senhora do cafezinho com respeito e carinho admiráveis. Esse era o seu jeito natural de ser que cativava os observadores mais inteligentes e perspicazes...

Os exemplos são inúmeros para demonstrar as pessoas legais que encontramos no dia-a-dia. Ás vezes, dentro do mesmo ambiente de trabalho, nas mesmas condições profissionais, alguém se destaca pela empatia, pelo coleguismo, alto-astral, motivação e interesse verdadeiro por tudo o que acontece à sua volta.

São seres humanos cativantes, fantásticos, de espírito nobre, cortezes, que nos levam a um questionamento: por que são assim? O que aconteceu para que se transformassem em pessoas tão fascinantes? Já nasceram assim? São perguntas que nascem naturalmente porque tais indivíduos estão em extinção na sociedade. Quando as detectamos causam certa estranheza pela singularidade que demonstram. Muitos de nós até ficamos um pouco receosas, pensando que estão interessadas em alguma coisa nossa.

Mas não! São simplesmente assim: legais. O estilo não é forçado, tipo marketing pessoal. São o que são porque aprenderam que a vida delas somente valeria a pena se fossem pessoas amáveis, que fizessem algo de extraordinário àqueles que cruzassem o seu caminho. Porque entenderam que cada encontro é único e que talvez jamais terão oportunidade de prestar um atendimento de qualidade, um favor diferencial, de dizerem coisas estimulantes. Aprenderam que a vida passa muito rapidamente e é composta por acontecimentos diários, momentos diários, geralmente com a participação de outras pessoas e sabem que agora é sempre a hora de fazer, de realizar, de motivar os outros.

Na sociedade atual são, sim, modelos a serem seguidos. Sempre preocupados com os números pessoais, com nossa produtividade, perdemos o referencial acima. No trânsito, vale chegar mais rápido, não importando se burlamos alguma norma, fechamos algum motorista ou não demos preferência aos pedestres; na escola e na faculdade, temos que ser os melhores, os de notas mais elevadas, mesmo que custe sermos mesquinhos e não ajudarmos os que têm mais dificuldades; na empresa vale ser promovido, acabar logo com a fila, com os "xaropes" que nos procuram, mesmo à custa da péssima qualidade do atendimento... Na família o que importa são as reservas futuras, os bens comprados anualmente e não a atenção real mútua...

Devemos nos esforçar para sermos pessoas legais. Fazermos o exercício de entender cada encontro como o último e que por isso da maior importância para nós. Aí certamente começaremos a nos tornar mais simpáticos com todos. As pessoas que Deus coloca em contato conosco merecem tal deferência, e então quando nos virem, dirão: "PUXA, ESSE É O CARA..."

Geraldo Anastácio.


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Última atualização: 21/01/2005 11:15:23