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Início Quem Sou? Links: Contato A vida está passando! Aproveite cada momento para ser feliz... |
FAÇA CONTATO Temos como vocação primordial o contato com os outros, a troca de informações, a ajuda mútua, a socialização. Nesses intercâmbios nos desenvolvemos psíquica e afetivamente. Seres humanos que desde a infância se criaram sozinhas, apesar da aparência humana, não manifestavam , no comportamento, as peculiaridades humanas. Ou seja, o que nos faz humanos é o convívio com outros seres humanos. Não nascemos para viver isolados. Thomas Merton já disse que "Homem algum é uma ilha" e essa é uma verdade inexorável. Sozinhos não crescemos, estagnamos em nossas visões pessoais e não recebemos a contribuição de pontos de vista diferentes. Resumindo: simplesmente não dá para viver numa ilha onde só cabe nós mesmos. Todavia, algo me preocupa nessa época maluca em que estamos: sem percebermos estamos criando ilhas em nossa vida. Basta dar uma volta e perceber o quanto estamos nos protegendo e privando-nos do relacionamento humano. Utilizando como mote a segurança, já não conversamos mais com as pessoas que passam defronte da nossa casa; moramos anos em determinada rua e não estreitamos laços fraternos com nossos vizinhos. Desconhecemos suas vidas, suas angústias, suas expectativas e sonhos. O máximo que nos permitimos é um menear de cabeças, uma saudação inaudível ( quase sempre por obrigação), um olá sem graça nenhuma. Os que moram em apartamento, então, estão isentos de praticar os benfazejos exercícios da comunicação humana... Mesmo a alguns metros uns dos outros, a distância dos corações é quilométrica. Triste fim dos contatos humanos. No elevador, parecemos estátuas. Sequer demonstramos um sorriso nos lábios aos demais ocupantes. Quando surge alguém simpático que resolve dar um sonoro BOM DIA, é logo tachado de caipira, de maluco ou de desconhecedor das normas de etiqueta. Cada um em seu universo particular, onde inexiste a comunicação humana. No trabalho, temos apenas relacionamentos de rotina com os demais colegas. Não nos interessamos pela vida deles. Perguntamos o como vai, apenas por obrigação e já esperando aquele famoso TUDO BEM. Qualquer coisa que fuja desse padrão é logo rechaçado, porque não tempos tempo para sentimentalismo. Temos que produzir e demonstrar competência. O pior é que as ilhas apareceram também em casa, na família. Os membros não se conhecem mais. As refeições deixaram de ser coletivas. Todos têm um horário diferente; alguns saem de casa cedo e chegam apenas à noite e, quando estão todos reunidos, contam com a companhia onipresente da televisão que inibe o diálogo familiar. O quadro que se forma é desolador: pais que não conhecem mais os filhos; filhos que não se sentem motivados a conversar com os pais; marido e mulher que apenas se suportam. E olha que isso não é exagero, hein!? Ah, que saudades dos nossos antepassado. Eles eram capazes de passar horas e horas, contando causos ( alguns mentirosos, é claro!), não deixavam nenhum estranho ficar fora da roda de prosa e faziam questão de transformar a vizinhança uma extensão da própria casa. Eram mais sábios, certamente... Paradoxalmente, estamos tão preocupados em fazer contatos com outros seres e galáxias, que nos esquecemos que precisamos nos comunicar por aqui primeiro. Não nos preocuparmos tanto com a nossa etiqueta e passarmos a cumprimentar as pessoas que encontramos, puxar papo com quem não conhecemos, esticar a cabeça no portão do vizinho e dizer: Olá, vizinho, tudo bem? Não somos ilhas! Estamos no mesmo continente, temos as mesmas angústias, os mesmos medos e incertezas diante dos desafios da vida e, juntos, trocando experiências, partilhando nosso ser, poderemos avançar com muito mais rapidez. Aprender com os erros dos outros e dizer também por onde não devem caminhar. Deixamos as ilhas existenciais para os náufragos que aguardam ser resgatados por um "fazedor de contatos humanos". Exerça a comunicação verdadeira e profunda no seu dia-a-dia. Ser humano é ser comunicador... Geraldo Anastácio. |
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