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Dale Carnegie disse que antes de sermos pessoas interessantes, devemos ser pessoas interessadas. Isso significa que devemos nos interessar pelos outros, de verdade. Nas conversas, nos encontros da vida, nos ambientes profissionais ou familiares não nos preocupemos em chamar a atenção, mas em estabelecer sintonia com os quais estamos.

Embora a dica seja de ouro, é raro encontrarmos pessoas interessadas hoje em dia. Cada um está preocupada apenas com o seu universo, com a sua história de vida, com o seu relato, não se importando com aquele que está na sua frente. Na ânsia de demonstrarem-se interessantes pelas conquistas que fizeram, pela inteligência, pelas qualidades que possuem, simplesmente deixam de sê-lo.

Sermos interessados é vermos o outro com o qual conversamos como o ser mais importante naquele momento, envolver-se com a narração de sua história com total intensidade, entender que ouvir é muito mais necessário do que falar. Todavia, não somos desse jeito. Quando uma pessoa começa a nos contar algo, não conseguimos nos concentrar por muito tempo; ficamos olhando no relógio, desviamos o olhar procurando não sei o quê, demonstramos pela nossa linguagem corporal que não estamos muito ligadas naquilo. Gostamos muito mais de falar de nós mesmos, do que sermos ouvidos atentos para os outros. Esquecemo-nos da lição dos antigos que nos lembra o fato de termos dois ouvidos e uma boca. Portanto, nossa missão deveria ser a de ouvir mais e falar menos.

Pensamos também que os nossos problemas são mais prioritários que tudo e não nos interessamos pelas agruras pelas quais os outros passam. Majoramos os nossos perçalcos e minoramos os dos demais. O nosso mundo com suas circunstâncias merecem atenção plena nossa e de todos. Não estamos interessados no que se refere aos outros!!!

Usamos conosco um critério diferente. Tudo o que nos acontece de bom ou ruim, merece ser ouvido, destacado, propagado. Nossas frustrações têm que receber o consolo devido, nossas glórias sabidas e reconhecidas por todos. E o mesmo não vale para as demais pessoas? É, existe alguma coisa de errado nas relações humanas. Tudo para nós e o resto é resto... Que pessoas interessantes somos, não?

O grande desafio, portanto, é fazer o que nos propõe Carnegie: sermos interessados em tudo o que diz respeito àqueles que estão temporária ou permanentemente conosco. Com isso, passaremos a ser pessoas interessantes.

Interesse-se realmente pelo outro!

Geraldo Anastácio.


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Última atualização: 21/01/2005 11:15:23