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EU QUERO PAZ!!!

A paz é necessária para a harmonia entre nós. É aquela sensação gostosa que resulta do equilíbrio entre os seres humanos e que nos faz acreditar que podemos conviver como iguais, como irmãos. Ela é a ausência de quaisquer sentimentos de dominação do outro, de luta para tirar o que não nos pertence, de ganância, de ódio.

Ela extirpa toda guerra grande ou pequena, todo desentendimento, conflito e divergência. Com a paz se consegue navegar pelo mar tranquilo da vida, sem o medo constante de tempestades que nascem da mente e corações perturbados. A paz! Como precisamos dela nestes tempos sombrios.

Apesar de sabermos da sua importância , não lutamos e tampouco somos artífices dela. Olhamos os grandes atentados, os ataques terroristas, as guerras tribais, as que ocorrem entre nações e ficamos na análise do macrocosmo. Acabamos nos esquecendo de olhar o pequeno cosmo que somos e não nos damos conta das inúmeras guerrilhas que também promovemos.

Sim! Não somos tão pacíficos conforme pensamos e causamos muitas desavenças com o nosso comportamento. Ainda não conseguimos ter maturidade suficiente para aceitar aquilo que difere de nós, as perdas que a caminhada nos traz. Não aprendemos a sábia regra da tolerância e, quando atacados, pagamos na mesma moeda sangrenta.

No nosso microcosmo há lutas que precisam ser vencidas. Nem sempre "fazemos o bem que queremos, mas o mal que não queremos", já dizia Paulo de Tarso, o grande apóstolo da Bíblia. Ah, como nossas ações são dignas de reprovações! Sentimentos coléricos invadem o nosso coração e se materializam em gestos de desamor, de indiferença em relação aos que nos procuram ou que nos amam...

As nossas igrejas estão cheias de soldados, mas qual será o tamanho do pelotão da paz? Nunca se buscou tanto o elemento religioso como hoje. É necessário sairmos da teoria para a prática. Há textos, livros, filosofias, correntes de pensamento que apregoam a paz. Quantos procuram vivê-la realmente? Não são perguntas pessimistas, apenas pausas para reflexão.

O mundo vive uma turbulência resultante dos atentados terroristas e da luta sobretudo pelo poder. Talvez não consigamos diminuir os reflexos das ações destrutivas dos personagens que compõem a cena histórica atual, mas podemos resolver as pequenas guerras que alimentamos com nossas atitudes. É oportuno nestes tempos malucos, uma análise de consciência e posicionamento interior. Quais guerras estamos provocando? Quantos atentados contra o nosso próximo cometemos diariamente? Quantas bandeiras brancas levantamos, possibilitando o fim da beligerância? A quem ainda chamamos de inimigo ou adversário? A quem ainda queremos destruir? Negamos o diálogo, a explicação que possibilitaria um armistício?

Tudo começa em nós. Se queremos a paz, procuremos tê-la interiormente e a propaguemos. Que seja nosso também o mandato de São Francisco de Assis, aos seus, antes de morrer:

"Meus filhos, saiam pelo mundo
com tochas nas mãos.
Pendurem lâmpadas nas paredes das noites.

Onde houver fogueiras,
Façam nascer mananciais.

Onde se forjam espadas,
Plantem rosais.

Transformem em jardins
Os campos de batalha.

Abram sulcos e semeiem amor.
Plantem bandeiras de liberdade
Na Pátria da Pobreza.

E anunciem que depressa vai chegar
A era do Amor,
Da Alegria e da Paz."

Geraldo Anastácio.


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Última atualização: 21/01/2005 11:15:23