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A PRESSA DO CAPITALISMO A humanidade sempre passou por transformações para corresponder às expectativas de seu tempo. A motivação invariavelmente foi dada pela necessidade que o capitalismo tinha de se expandir, de conquistar novas fronteiras, de correr com mais velocidade. De acordo com as exigências criavam-se o meio para atendê-las. Foram os navios, as estradas da ferro ( trens), rodovias, aerovias e agora a infovia. Cada uma, a seu tempo, fez o capital ser mais veloz dando vazão à novos anseios. Modernamente, asssistimos ao avanço frenético dos computadores e máquinas em todos os setores da economia. Do chão de fábrica aos escritórios confortáveis, os computadores são onipresentes, substituindo o trabalho do homem. Atividades bancárias que precisavam de centenas de pessoas, hoje são feita por computadores em questão de minutos. Tudo está on-line, interligado, a interferência humana é mínima, quase dispensável. Basta programar as máquinas e pronto! Elas fazem o trabalho sozinhas, com eficiência garantida. É o capitalismo em sua nova fase de expansão. Ele tem pressa e as tecnologias asseguram isso. Na agricultura a presença dos transgênicos são prova dessa rapidez. Querem produzir com plantas resistentes às pragas, aumentando a produção. Por trás disso, está o interesse dos que querem instaurar grandes monocultoras e expulsar os pequenos agricultores do campo definitivamente. Como já têm ocorrido com a implantação de novas tecnologias de plantio, aplicação de inseticidas, colheita ao longo das últimas décadas. Com a internet, então, tudo é acessado de casa. O mundo está em nossas mãos com infinitas informações na tela do computador. Ela veio para ficar e é, hoje, impensável estar no século XXI sem a internet. A pressa do capitalismo encontrou aí mais um aliado. É claro que as tecnologias possuem seus aspectos positivos, facilitaram bastante a vida humana. Grandes descobertas foram feitas, curas de doenças foram conseguidas e viver hoje é muito mais fácil do que na época dos nossos antepassados. Tudo se resume a botões. Controle remotos, acionador de vidro de carro, eletrodomésticos, máquinas são acionadas com um simples clic. Mas e as consequências de tanta inovação tecnológica para o ser humano? Qual o lugar que a pessoa irá ocupar neste novo cenário tecnológico. As respostas fornecidas até agora parecem que não se confirmaram. Domênico de Masi, falava na década de 90, no ócio criativo. Iria sobrar mais tempo para o ser humano criar. Isso não se justificou e o ser humano anda mais estressado do que nunca. As fábricas que demitiram porque novos processos de produção foram implantados ( aí leia-se tecnologias), afirmavam que os empregados seriam treinados para serem parceiros e onde estão eles hoje? Muitos engrossando as estatísticas do desemprego. E por aí vai... A verdade que é diante das tecnologias inventadas para resolver essa pressa do capitalismo, o ser humano está mais desprezado do que nunca. Acabam-se com postos de trabalho e não existem vagas no mercado para absorver os novos desempregados. O que interessa é resolver o problema da produção capitalista que precisa de novos métodos para otimizar os ganhos e reduzir os custos. Quanto menos ser humano presente nas empresas melhor. Eles significam custos operacionais, ficam doentes, engravidam, precisam de férias, benefícios, são falíveis. A pergunta que fica é: tudo isso não levará ao colapso da humanidade? Sim, colapso porque o ser humano não está encontrando espaço para sobreviver neste mercado capitalista. As consquências aparecem disfarçados em estresse, pressão alta, problemas psicológicos, de convivência, etc. O ser humano cidadão com direitos está sufocado por tudo isso. Houve uma inversão de valores. Neste cenário necessário se faz discutir sobre cidadania. Ela pressupõe falar sobre conquistas de espaço, de valorização da dignidade, de vida plena ao ser humano. Cidadania inclui garantir ao ser humano participar da história como agente principal. Só que isso o capitalismo não quer ou não está muito interessado em fomentar. A propalada responsabilidade social não passa de marketing empresarial que pouco deixa de concreto. Devemos resistir, sim!!! Procurar fazer parte das discussões sobre tudo o que nos afeta direta ou indiretamente. Estar sintonizado com as decisões que geram situações de desempregos, de selvageria nas relações de trabalho, na sociedade. Porque a pressa do capitalismo, suplanta o valor do ser humano. Os progressos do capitalismo e a velocidade das tecnologias somente terão sentido se o ser humano conseguir se realmente feliz, vivendo nesta nova realidade. Porque tantos inovações se o fator humano for esquecido? Geraldo Anastácio. |
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