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SOU DA PAZ

A violência se manifesta de maneira mais visível neste tempo histórico. Nas pequenas e grandes cidades as notícias de tragédias e mortes assustam e causam medo, pânico. Contaminou os mais diferentes ambientes e reduz a vida a quase nada. O ser humano à dados estatísticos, à números.

É deprimente vermos notícias de jovens, chamados Pitboys, cuja diversão é bater em pessoas inocentes nas imediações de boates e casas noturnas. Tudo pelo simples prazer de ser violentos. Mais triste ainda é assistirmos às guerras promovidas pelo tráfico de drogas, encurralando populações das favelas. Chocante é testemunharmos pelos meios de comunicação, a morte de pessoas por balas perdidas, saídas de fuzis contrabandeados que param nas mãos de bandidos. Mata-se por nada. Por alguns trocados, desavenças tolas, vinganças sem sentido. Até mesmo nas pequenas cidades, antes modelos de qualidade de vida, a marginalidade está marcando presença, atemorizando os habitantes.

Mata-se também por pressa, imprudência, negligência. O nosso trânsito é um dos mais violentos do mundo. É uma verdadeira guerra, sem vencedores. Na guerra do trânsito todos são vítimas.

Parece que a cultura da violência atingiu o seu apogeu. Em sua gênese estão fatores sociais, familiares, econômicos, espirituais. Infelizmente, dela somos protagonistas e também coadjuvantes. Ora estamos de um lado, ora de outro. A neutralidade não existe. Todos somos vítimas e algozes. Sim, com diferentes nuances, a violência pode estar presente em nossas atitudes diárias com palavras, gestos que também ferem, matam ou deixam estragos na vida das pessoas. Atire a primeira pedra quem não pratica, mesmo veladamente, violências em seu dia-a-dia. Onde vamos chegar com tudo isso? Bem, depende de nós...

Para superar a cultura da violência que não respeita ninguém, onde tudo é justificado em nome do poder, da dominação, da subjugação, do controle, da posse forçada do que pertence ao outro, da eliminação dos valores e direitos há muito conquistados, necessário se faz instaurar a cultura da paz.

Pela cultura da paz passamos a fornecer ao homem e á sociedade um novo modelo de convivência onde a harmonia e o equilíbrio sejam diretrizes básicas. Ela suplanta quaisquer focos de dominação, de desrespeito, de agressão. Visando à formação de cidadãos da paz, como líderes dessa cultura, devemos começar a fazer barulho, ressaltando que sem ela nada subsiste e a vida se torna um caos, onde impera a insegurança e a perturbação psíquica e social. Aliada às políticas públicas de combate à violência, diminuição das desigualdades sociais e planejamento, urgente se faz instaurar programas de formação para a paz.

Às novas gerações, novos conceitos precisam ser ensinados. Novas regras de relacionamento que forneçam uma visão diferente do que é noticiado pelos meios de comunicação. Em lugar de filmes que destacam a vitória pelas armas e pela força, passemos a valorizar produções que resgatam as conquistas baseadas em outros quesitos, sem a necessidade de haver perdedores e derrotados. Em vez de exaltar os méritos dos ganhadores, digamos que perder não significa aniquilamento. Quem sabe perder com dignidade demonstra maturidade e sabedoria diante dos acontecimentos negativos. A educação precisa abordar claramente a cultura da paz. Como formadora de consciências têm papel decisivo nisso.

Nas famílias o tema da paz deve ocupar a pauta sempre. Tanto nas relações cotidianas, quanto nas extra-muros do lar. Em casa pode-se aprender lições valiosas que se leva para a vida toda. Os valores espirituais esquecidos merecem ser relembrados. Noções como amor ao próximo, respeito e vida em Deus, ajudarão fundamentalmente no projeto da paz.

Mas sobretudo, cada pessoa tem que se assumir como pacífica. Estampar no peito "SOU DA PAZ", demonstrando com gestos concretos os frutos desse lema. Se cada um procurar ser artífice da paz e melhorar o meio onde vive, implantando atitudes novas de convivência e de relacionamento, teremos um mundo diferente.

Aprendamos a lutar pela paz com as armas do amor, da generosidade, da tolerância, vendo no outro sempre um aliado, um igual e não um inimigo, adversário, concorrente. A partir das coisas mais corriqueiras, reafirmemos com gestos: "SOU DA PAZ".

Geraldo Anastácio.


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Última atualização: 21/01/2005 11:15:23