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RESPEITAR A AUSÊNCIA Temos um vício terrível: falar mal dos outros. Livrar-se dele, parece coisa muito difícil, um verdadeiro ato heróico. Até tentamos, mas, basta alguém começar, e lá vamos nós embarcando na onda do falatório. Lembramo-nos de detalhes, de pormenores, de atitudes que julgamos reprováveis e levantamos instantaneamente a ficha completa da pessoa em questão. Tudo compreensível, pois somos humanos, cheios de falhas e todos fazem isso... podemos dizer para justificar nosso comportamento. Todavia, não há explicação que abone esse vício da língua. Santo Agostinho afirmava que "se respeitamos a presença da pessoa, devemos respeitar também a sua ausência". Daí entendemos que falar mal das pessoas é, sobretudo, uma tremenda injustiça. Geralmente, isso é feito quando ela não está presente para se defender ou argumentar sobre o porquê de seus atos. Aí está o lado negativo da atitude. Justamente quando a pessoa não pode apresentar o seu lado da história, as suas considerações, destilamos todo veneno contra ela, numa espécie de julgamento sumário, sem direito à defesa. Nós mesmos, os viciados, julgamos e as condenamos em nossos tribunais particulares, sempre com pena máxima, sem dó nem piedade. Alguns patrões mais espertos, quando contratam, observam se o entrevistado fala muito mal da empresa de onde provém. Caso aponte muitos defeitos na empregadora anterior e profere poucas e boas dos antigos chefes, simplesmente não dão o emprego a tal pessoa. Entendem que se falou tão mal assim daquela empresa, também falará mal daquela na qual pretende ingressar. Força do hábito dos viciados em falar mal dos outros. Assim também nós ao virmos alguém se aproximar e caluniar fulano e sicrano, tratemos de nos precaver pois seremos os próximos da lista. Mesmo que seja verídico o fato negativo do outro, proclamar isso, além de falta grave, está fora de moda. Quem o faz, apenas perde credibilidade. Em vez de falarmos da pessoa, falemos com a pessoa. É muito mais cristão, muito mais digno, mais produtivo. Todos gostam quando chegamos e, carinhosamente, apontamos os possíveis erros de conduta ou falhas de procedimentos em determinada situação. O contrário, desperta apenas sentimentos ruins... E afinal, todos temos o nosso telhado feito com vidros bem frágeis... Não à esse vício!!! Vale a pena todo esforço e policiamento da língua. A partir de agora, passemos a policiar o que sai de nossa boca. Começando com esta análise ficará mais fácil o processo de reeducação. Se for muito difícil nos livrarmos disso sozinhos, formemos o grupo dos F.A ( Faladores Anônimos) e nos ajudemos. Ah, só não será permitido falar mal dos outros nas reuniões, Ok? Das pessoas, proclamemos apenas os seus aspectos positivos. É mais saudável. Geraldo Anastácio. |
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