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SAPATOS QUE NÃO SERVEM

" Uma jovem, passeando por um shopping center, encontrou numa vitrine um belo par de sapatos. Eram da cor que gostava, possuíam o formato que desejava. Tudo aparentemente perfeito. Os sapatos dos sonhos. Motivada, resolveu entrar e prová-los. Para sua surpresa e desencanto, não serviam. Eram um número menor que o seu. Desiludida, por não encontrar aqueles que fossem do seu tamanho, deixou a loja entristecida".

Essa estória nos remete a muitas reflexões de vida. Em certas situações existenciais nos encontramos como a menina, encantados, achando que encontramos a razão de nossa vida. Só que quando vamos fazer a experiência, nos decepcionamos, porque as coisas não eram tão perfeitas, conforme imaginávamos. Vejamos.

Conhecemos uma pessoa que julgamos fantástica, sensacional, um verdadeiro tesouro que nos foi oferecido. Com a convivência, o príncipe ou princesa começa a nos magoar, faz-nos sofrer, não valoriza a dedicação e o afeto que oferecemos sincera e gratuitamente. Os sapatos não servem para nós, apesar de muito atraentes e bonitos. O que fazemos? O mais sensato é deixá-los, sob risco de causar muitos incômodos e bolhas aos nossos pés. Persistir é desconforto e decepção certas. Se não forem o nosso número, não adianta! O tempo fará, infelizmente, que as diferenças sejam fator de sofrimento e dor, acabando, sem percebermos, com o relacionamento. Nesses momentos devemos fortalecer a nossa auto-estima e acreditarmos que nascemos para sermos felizes e que merecemos essa felicidade com sapatos confortáveis e não com aqueles que machucam os pés. No momento exato, acreditemos, eles aparecerão e daí... só serão alegrias.

Fazemos um esforço tremendo para passar no vestibular e cursar uma faculdade (aquela que supostamente é da nossa área vocacional). Vencemos tal etapa e começamos. No início tudo é novidade. Mas depois, surgem as frustrações, os questionamentos. Pensávamos que era uma coisa e é outra completamente diversa. As matérias não nos atraem, os trabalhos são um fardo que temos que carregar e não algo que dá prazer... Concluímos que erramos na escolha. Mais uma vez os sapatos não servem. Se percebemos isso no começo, ótimo. Quanto mais cedo, melhor. Mas em qualquer ocasião, o correto é deixarmos o sapato de lado. O dia-a-dia está cheio de pessoas que fizeram um curso superior por fazer, porque escolheram errado.

O exemplo dos sapatos abrangem a vida profissional. Quando abraçamos profissões que não nos realizam e não nos fazem acordar todas as manhãs com vontade de trabalhar mais e mais. Dizem que a melhor profissão é aquela que nos dá prazer, aquela que encaramos com tanta alegria que parece uma atividade de lazer, de tão gostosa que é. Alguns de nós vivemos muitos frustrados com aquilo que fazemos, sendo mal profissionais, carrancudos, sem bom humor e alegria. Que pena!!! Também nestes casos, estamos com os sapatos errados. Ih, quanta bolha nos pés...

As situações são muitas, mas uma só certeza: levamos sapatos menores pela vida afora. Estar com o número certo, é receita para a felicidade. Nem sempre é fácil, todavia acertar nas escolhas é pressuposto para uma vida mais plena e vitoriosa. Portanto, independente da ocasião ou estado de vida, saibamos provar corretamente os nossos sapatos. Não nos deixemos levar pela beleza aparente ou pela fantasia. A caminhada será mais prazerosa e com menos dores nos pés...

Geraldo Anastácio.


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Última atualização: 21/01/2005 11:15:23